Quanto cobrar por consulta: como calcular a tabela de preços certa

Você senta no consultório numa terça de manhã e pensa: "Acabo de atender 10 pacientes, faturei R$ 1.500, deveria estar rico". Mas quando o mês fecha, o caixa da clínica não mostra riqueza nenhuma — mostra que você gasta mais do que ganha.

A culpa não é falta de paciente. É preço errado.

Por que a maioria das clínicas cobra errado

Cobrar certo exige você saber três números que a maioria dos donos de clínica não conhece:

  1. Quanto custa cada consulta rodando (não só a sua hora, mas aluguel, recepção, energia, sistema)
  2. Qual margem de lucro você quer (não precisa ser rico, mas precisa ser viável)
  3. O que o mercado aguenta pagar (porque o número certo não vale nada se ninguém quer pagar)

Sem saber esses três, você termina cobrando o preço que "parece justo", que é quase sempre o preço que vai deixar você apertado no fim do mês.

Cálculo 1: Custo real de uma consulta

Uma clínica pequena (2-3 profissionais, ~40-50 consultas/semana) tem:

Custos fixos mensais:

  • Aluguel/condomínio: ~R$ 2.500
  • Folha de recepção + auxiliar: ~R$ 4.000
  • Utilidades (luz, água, internet, telefone): ~R$ 800
  • Sistema (software, prontuário, segurança): ~R$ 500
  • Seguros, licenças, contador: ~R$ 600

Total mensal fixo: ~R$ 8.400

Se você atende 150 consultas por mês, cada consulta "custa" R$ 56 só em fixo.

Custos variáveis por consulta:

  • Luvas, máscaras, álcool gel: ~R$ 5
  • Impressão de receita/guia: ~R$ 2
  • Se fatura por convênio, % de gestão: ~R$ 10-15

Total variável: ~R$ 20-25 por consulta

Custo total de uma consulta: ~R$ 76-81 (fixo + variável)

R$ 76-81
Custo real de cada consulta em uma clínica pequena, incluindo aluguel, pessoal, sistema e consumíveis
R$ 8.400
Custos fixos mensais de uma clínica pequena que existe mesmo com agenda vazia (aluguel, folha, sistema)

Cálculo 2: Margem de lucro realista

Você precisa de dinheiro sobrando — não pro Ferrari, mas pra:

  • Reinvestir na clínica (novo equipamento, software melhor)
  • Cobrir safra ruim (cliente que não pagou, semana sem agenda)
  • Sua vida pessoal (aluguel seu, comida, contas)

Uma margem de 40-50% é realista para uma clínica pequena/média. Acima disso, você está cobrando muito — abaixo, você está trabalhando pra não ganhar.

Vamos ao exemplo:

Custo da consulta: R$ 80
Margem desejada: 40% (sobre o custo)
Valor final: R$ 80 ÷ (1 - 0,40) = R$ 133
Lucro por consulta: R$ 133 - R$ 80 = R$ 53

Se você cobra R$ 133 por consulta:

  • Com 150 consultas/mês = R$ 19.950 faturado
  • Menos custos = ~R$ 12.000 de lucro
  • Margem real = 60% (porque o lucro é referência, não o custo)

Cálculo 3: Validar contra o mercado

Você calculou que precisa cobrar R$ 133 por consulta. Agora vem a pergunta real: seu paciente paga isso?

Depende:

  • Clínica particular em bairro classe A: R$ 150-250 é normal. Você pode cobrar acima do calculado.
  • Clínica em bairro periférico: R$ 80-120 é o teto. Você ganha pouco ou sai do mercado.
  • Clínica com convênio: O convênio paga o que negociou (R$ 100-180, depende da operadora). Você não escolhe.

Se seu mercado não aguenta R$ 133, você tem duas opções:

  1. Aumentar volume: Atender 200 consultas/mês em vez de 150 (reduz custo fixo por consulta, porque você dilui aluguel em mais gente)
  2. Reduzir custos: Mudar pra sala menor, dispensar auxiliar, negociar sistema mais barato

Exemplo prático: a tabela que muitas clínicas erram

Clínica X cobra assim (errado):

Procedimento Preço Custo Lucro
Consulta R$ 100 R$ 80 R$ 20 (20% margem)
Revisão R$ 80 R$ 60 R$ 20 (25% margem)
Curativo R$ 50 R$ 40 R$ 10 (20% margem)

Multiplicada por 150 consultas/mês = R$ 15.000 faturado, R$ 4.500 de lucro. Com custos fixos de R$ 8.400, a clínica está deficitária por R$ 3.900. Ou seja, quanto mais atende, mais perde.

Clínica Y cobra assim (certo):

Procedimento Preço Custo Lucro
Consulta R$ 150 R$ 80 R$ 70 (47% margem)
Revisão R$ 120 R$ 60 R$ 60 (50% margem)
Curativo R$ 90 R$ 40 R$ 50 (56% margem)

Multiplicada por 150 consultas/mês = R$ 22.500 faturado, R$ 12.000 de lucro. Com custos fixos de R$ 8.400, sobra R$ 3.600 de lucro real. A clínica está lucrativa.

A diferença entre as duas? Não é que uma trabalha mais — é que uma cobra preço que funciona e a outra não.

Uma tela do financeiro com preço certo

Quando você usa um sistema que conecta preço, custo e resultado, fica fácil ver de verdade o que está acontecendo:

Resumo Financeiro — Setembro
Faturamento total
R$ 22.500
Custos fixos (aluguel, pessoal, sistema)
R$ 8.400
Custos variáveis (consumíveis, convênio)
R$ 2.100
Lucro líquido
R$ 12.000
Margem
53%
Um sistema que mostra custo e lucro por consulta deixa claro: você está cobrando certo, ou deixando dinheiro na mesa.

Os erros mais comuns na precificação

Erro 1: Cobrar o que o concorrente cobra Você vê a clínica ao lado cobrando R$ 100 e copia. Problema: você não sabe se ela está lucrando, se ela está falindo, ou se ela tem subsídio de outra clínica. Copiar preço de concorrente é cegar com a informação dele.

Erro 2: Esquecer custos fixos Você pensa: "Cada consulta me custa R$ 60 em material, então cobro R$ 120 — lucro de R$ 60!" Errado. Você não contou aluguel, pessoal, sistema. Esses custos continuam existindo mesmo com agenda vazia.

Erro 3: Cobrar diferente por tipo de paciente, sem razão Você cobra R$ 100 do particular e R$ 150 do convênio, porque "o convênio paga mais". Errado. Se o custo é o mesmo, o lucro deveria ser o mesmo (ou o particular ficaria com margem negativa).

Erro 4: Ajustar preço só quando está apertado Você deixa preço congelado por 2 anos, custos sobem 30%, aí você sobe tudo de uma vez — e perde metade dos pacientes. Melhor ajustar 5-10% ao ano do que 30% de uma vez.

Como não errar na hora de precificar

  1. Sente, pegue na caneta e calcule seus custos reais. Não é estimativa — é número de verdade. Aluguel contrato, folha de recepção, fatura do sistema.
  2. Defina a margem que você quer. 40-50% é realista. Menos que isso, você está trabalhando barato. Mais que isso, você pode estar fora do mercado.
  3. Some custo + margem. Esse é o preço.
  4. Pergunte ao mercado se aguenta. Se não aguenta, ou você reduz custos, ou aumenta volume, ou aceita margem menor.
  5. Revise a cada 6-12 meses. Inflação não dorme, custos subiram, você deve subir também.

Se você usa o CliNiv, isso fica automático. Toda vez que você fecha uma consulta, o sistema registra o preço, deduz o custo (configurable), e mostra o lucro daquele atendimento. Mês fechado, você vê de uma vez: faturei quanto, quanto virou lucro, qual foi minha margem. Sem planilha, sem adivinhar.

Quer ver isso funcionando no sistema? Conheça cobrança de pacientes no CliNiv.

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